sábado, 30 de novembro de 2013

Enzimas lipases

   As enzimas lipases nada mais são do que esterases, isto é, atuam clivando ligações éster em triacilgliceróis. Este post não apenas aborda o funcionamento dessas enzimas na digestão de lipídios como também versa sobre atuação das enzimas pancreáticas em situação de doença, debruçando-se sobre a situação de pancreatite crônica .

Atuação das lipases e destino dos produtos de sua digestão


   As enzimas lipases podem ser classificadas em lipases ácidas(lipase lingual e gástrica) e lipases básicas(lipase pancreática).
   As lipases ácidas são mais ativas em crianças lactantes, pois atuam sobre TAGs de cadeias curtas e médias. Sua contribuição para a digestão de lipídios é reduzida porque o alimento fica pouco tempo na boca e porque o pH extremamente ácido do estômago permite que ocorra apenas a degradação parcial de TAGm e TAGc, produzindo ácido graxo e diacilglicerol.
   O ácido graxo produzido aqui é transferido à circulação porta, onde, por ser apolar, circula em associação à proteína albumina. No fígado eles sofrem uma reesterificação e são transportados por lipoproteínas para sua distribuição pelo corpo.
   As lipases básicas, por sua vez, possuem uma atividade mais eficiente, atuando sobre TAGs de cadeia média, curta e longa. A lipase pancreática, uma lipase básica, atua como uma esterase 1,3; isto é, ela quebra as ligações éster nos carbonos 1 e 3 do TAG de cadeia longa, formando 2 moléculas de ácido graxo e uma molécula de 2-monoacilglicerol.
   Sua ação sobre o quimo ocorre no duodeno, onde predomina um pH bastante alcalino. Os ácidos graxos derivados dessa quebra são reabsorvidos pela mucosa intestinal e, no enterócito, são direcionados ao retículo endoplasmático, onde são reesterificados formando TAGl novamente. Esses triacilglireóis produzidos, juntamente  com colesterol éster e fosfolipídios, são destinados à circulação linfática, onde circulam com o quilomícron nascente. Esse quilomícron recebe apolipoproteínas CII e E do HDL, transformando-se em um quilomícron maduro, que circula na corrente sanguínea. Ativada pela APO-CII, a lipoproteína lipase libera ácido graxo e glicerol.

Deficiência da atividade exócrina pancreática


 
lipase pancreática

   Proporcional à importância da lipase pancreática para a digestão é a dimensão do prejuízo que advém de sua deficiência. Um artigo review feito pelo Israelitic hospital of Hamburg compilou informações sobre a secreção exócrina pancreática e os efeitos da má digestão de nutrientes por deficiência da ação/secreção dessas enzimas em pacientes crônicos.
   Os autores primeiramente discutem aspectos básicos da insuficiência da ação de enzimas digestivas decorrente de uma pancreatite crônica.  Na situação de pancreatite crônica, a inflamação do pâncreas causa grande prejuízo de suas funções exócrinas como um todo, mas a ação mais afetada é a de lipases. Isso acontece porque a lipase pancreática, em seu ambiente de atuação, está muito sujeita à desnaturação ácida e proteolítica. Além disso, quando essa enzima está prejudicada, o organismo não dispõe de mecanismos não pancreáticos que compensem satisfatoriamente essa perda, o que faz com que as consequências sejam severas e facilmente notadas.
   Como consequência desse dano exócrino, há, logicamente, uma deficiência na absorção de nutrientes, que pode levar à perda de peso, e evacuação de fezes gordurosas (esteatorreia). A inflamação do pâncreas na pancreatite crônica também pode lesionar as células das ilhotas pancreáticas, comprometendo a função endócrina e aumentando a probabilidade de se desenvolver diabetes mellitus.
   Depois, os autores ainda fazem um apanhados com os métodos atuais e as perspectivas terapêuticas para o tratamento dessa condição, expondo o atual tratamento à base de cápsulas de pancreatina e mostrando o futuro de uma terapia de reposição dessas enzimas com o usos de lipases bacterianas e fúngicas.

Referências
Layer, P. and Keller, J."Pancreatic enzymes: secretion and luminal digestion en health and disease." J. Clin Gastroenterol, vol. 28 PMID: 9916657, 8 páginas, 1999
http://www.bigstock.com.br/image-45581896/stock-photo-enzima-lipase-pancre%C3%A1tica-colipase-
complexo
http://drauziovarella.com.br/letras/p/pancreatites/


Por Andressa Rosa

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